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29/09/2013

A ONG SIM organizou em Agosto uma nova missão a Moçambique, desta vez orientada para os temas da Educação e Saúde. Para além dos dirigentes da SIM, integraram a missão um médico — o dr. Vasco Sousa Coutinho, especialista do Centro de Dermatologia do Hospital CUF-Descobertas — e três voluntárias: Caetana Lucena, Constança Lameiras e Ana Margarida Oliveira.

 

 

O médico da nossa missão deslocou-se à vila de Inhassoro e à ilha do Bazaruto para estudar a prevalência de doenças de pele nas comunidades apoiadas pela SIM. As doenças infecciosas são o maior problema na zona, nomeadamente as doenças por fungos (tinhas), por vezes com infecções bacterianas incómodas e potencialmente perigosas. As doenças provocadas por parasitas, com realce para a matacanha, e algumas doenças virais de pele estão também muito presentes.

 

 

Nas crianças, algumas formas de tinha são pouco inflamatórias e causam pouco incómodo e pouco dano e, como costumam curar perto da puberdade, as famílias não se preocupam e não procuram ajuda. Nem sequer aumentam os cuidados de higiene que poderiam diminuir o contágio. Estes comportamentos devem ser alterados e a ONG SIM em colaboração com as autoridades locais vai procurar dar resposta ao problema. Estas doenças podem provocar em certos casos grande inflamação, com prurido intenso e frequentes infecções secundárias, conduzindo muitas vezes a cicatrizes definitivas e peladas. Mais importante, debilitam a criança e tornam-na mais vulnerável a infecções mais graves, prejudicam o seu desenvolvimento psicomotor e, consequentemente, o rendimento escolar.

 

 

Há ainda que assegurar uma vigilância sanitária apertada sobre outros problemas mais graves, que já provocaram a perda de vidas entre os habitantes da Ilha do Bazaruto, nomeadamente o HIV SIDA e a tuberculose. Há que estar muito atento a esta situação, por vezes desvalorizada localmente, pois para além das perdas humanas pode vir a constituir uma ameaça às actividades económicas do arquipélago, caso não seja devidamente acautelado.

 

A missão da SIM pôde contar com muita informação recolhida em Maputo junto de médicos residentes na capital. Nas vilas de Vilanculos e de Inhassoro, foi conseguida a preciosa colaboração do Dr. Yussuf e da Dra. Isis. Esta última é uma das médicas internas do Hospital de Inhassoro e visitou o Lar SIM, estando agora em contacto directo com os nossos bolseiros para ajudar a resolver as situações mais urgentes detectadas na comunidade envolvente.

 

 

 

No campo da Educação, as nossas voluntárias fizeram uma avaliação global da situação escolar e do rendimento dos bolseiros do Bazaruto instalados no Lar SIM. Porque os recursos são limitados, foi necessário reforçar os mecanismos de reconhecimento do mérito, permitindo àqueles que se esforçaram prosseguir os estudos e libertando vagas para candidaturas de novos bolseiros. Um dos problemas recorrentes neste domínio é o acompanhamento dos estudantes, pelo que foram muito importantes os contactos que as voluntárias fizeram com os professores das escolas que os bolseiros frequentam.

 

 

Da avaliação realizada resultou a necessidade de criar condições para um acompanhamento regular e foi recrutado como novo encarregado de educação dos bolseiros do Bazaruto no Lar SIM o professor Celso Azevedo, docente na Escola Industrial e Comercial Estrela do Mar de Inhassoro.

 

Esta missão da SIM permitiu também melhorar as condições de vida no lar dos bolseiros. Há novas infra-estruturas, nomeadamente água canalizada e electricidade assegurada por energia solar em todas as instalações do Lar SIM.

 

 

Na Ilha do Bazaruto, a Missão Educação e Saúde da SIM prosseguiu a sua acção humanitária, não só com a visita do médico para levantamento de necessidades, mas sobretudo com a distribuição de material escolar, alimentos, roupas e cobertores. O régulo Mazalleti acompanhou todas as iniciativas da missão e alertou a SIM, uma vez mais, para as grandes carências das populações locais.

 

 

Na Escola de Sitone, realizou-se um grande encontro com as crianças e famílias e foram distribuídas roupas e alimentos. Um grande momento de alegria foi protagonizado por todas as crianças quando as voluntárias e os bolseiros procederam à distribuição dos sumos GUD, oferecidos pela Sumol/Compal.

 

 

A missão da SIM estabeleceu contacto com a nova Associação de Solidariedade Tilizinwe e, conjuntamente, fez-se a distribuição de t-shirts, livros para pintar, lápis, canetas e bonés às crianças da escola local.

 

 

Com o apoio operacional do Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto fez-se ainda a distribuição à população da ilha de cobertores oferecidos por apoiantes da ONG SIM.

 

 

No plano institucional, os dirigentes da SIM e os membros da missão tiveram a oportunidade de contactar com o novo Administrador do Distrito de Inhassoro e com a Secretária Permanente do Distrito. Destes contactos resulta o mútuo compromisso de estreitar as relações no futuro, com vista à resolução dos problemas mais prementes no domínio da Educação e da Saúde. A visita regular de um médico à zona Norte da Ilha do Bazaruto, a recuperação do Centro de Enfermagem existente e a permanência de um enfermeiro no local são seguramente as medidas mais urgentes a tomar.

 

 

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